passistaAs escolas de samba surgiram entre as décadas de 20 e 30, ainda ligadas aos ranchos e blocos de carnaval.

São agremiações onde pessoas cantam e dançam para ganhar uma competição, que dura dois dias. Apesar disso, o trabalho é realizado durante todo o ano. Primeiramente, as escolas de samba eram mais rígidas do que atualmente e depois passaram a concessões em seus desfiles.

As agremiações possuem estatutos sociais registrados nos cartórios, sedes administrativas, diretoria, quadras e licença para funcionamento. O trabalho é feito durante todo o ano com a escolha do enredo, fantasias, carros, divulgação e arrecadação de dinheiro na própria comunidade ou por meio dos visitantes que vão em suas quadras.

No Rio de Janeiro, elas costumam se apresentar como Grêmio Recreativo Escolas de Samba (GRES).

Apresentação das Escolas

O desfile começa com a comissão de frente, que apresenta uma coreografia diferente ao desfile. Ela é responsável por apresentar a escola ao público e aos jurados. Recebe aproximadamente a participação de quinze integrantes que usam roupas específicas, acrobacias e efeitos para impressionar a todos. Posteriormente, quem chega é o carro abre-alas, onde aparece o símbolo da escola.

O desfile é dividido em alas posicionadas entre os carros alegóricos. Os integrantes das alas usam a mesma fantasia que sempre tem um assunto com relação ao tema apresentado. As alegorias são essenciais para o andamento do desfile. A cada ano, a LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) define a quantidade de carros permitida para cada escola.

Diversos destaques vão no chão, fantasiados com adereços que lembrem o assunto tratado. O mestre-sala e a porta-bandeira são responsáveis por carregar o standarte da escola. Eles utilizam fantasias pesadas e elegantes e tudo conta para a avaliação dos jurados.

A bateria, coração da escola, leva em média 400 integrantes e conta com instrumentos musicais como pandeiro, reco-reco, agogô, cuíca, surdos em diversas marcações, tamborim, repinique, dentre outros. Muitas levam à frente da bateria rainhas, princesas e madrinhas, que podem ser garotas da comunidade ou celebridades.

A ala das baianas é uma parte tradicional das agremiações. Totalmente composto por senhoras, elas levam fantasias rodadas durante todo o desfile. Há sempre integrantes da velha guarda, que ajudaram a fundar a agremiação, que encerram ou iniciam nos desfiles. Já o intérprete é o profissional que canta o samba-enredo durante todo o desfile e recebe a ajuda de cantores de apoio.

Critérios Avaliados

  • O entrosamento dos integrantes da bateria;
  • O samba-enredo deve ter uma letra que combine com o tema escolhido;
  • A harmonia entre as alas e os carros alegóricos deve ser coesa para que os jurados não tirem pontos;
  • A comissão de frente deve apresentar bem a escola e seguir o enredo;
  • Qualquer problema nos carros, na harmonia ou atrasos são um dos motivos para a perda de pontos.

Lista das Escolas de Samba do Rio de Janeiro

Portela

símbolo portelaO bairro de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, surgiu entre a fazenda do Portela, que pertencia a um português chamado Miguel Gonçalves Portela, que era dono de um engenho. Primeiramente, a região abrigava moradores em busca de um custo de vida menor. Os personagens que chegaram ao bairro Oswaldo Cruz e que ajudaram na história da escola de samba foram D. Ester Maria de Jesus, Paulo Benjamin de Oliveira e Napoleão José do Nascimento.

D. Ester chegou ao local com seu marido, Euzébio Rocha. Eles participavam do Cordão Estrela Solitária como baliza e porta-estandarte. No bairro, eles fundaram um bloco que recebeu o nome de Quem Fala de Nós Come Mosca. A residência de Ester recebia festas memoráveis com convidados ilustres como políticos e artistas. Para o morador Paulo Benjamim de Oliveira, os amantes do samba deveriam se organizar para que não fossem mais tratados com descaso pelas autoridades.

Paulo Benjamin foi o responsável pela criação do bloco Ouro Sobre Azul. Outro bloco criado nessa região foi o Baianinhas, de Oswaldo Cruz, e se apresentavam na cidade. Mas como não tinham licença, pegavam emprestado com a D. Ester. Posteriormente, foi fundado outro bloco carnavalesco, o Conjunto de Oswaldo Cruz. Esse bloco se reunia no mesmo local de um clube de futebol chamado Portela.

O nome do bloco foi alterado por Heitor dos Prazeres para Quem Nos Faz é o Capricho e foi desenhada a primeira bandeira da escola. Após o carnaval de 1930, a escola mudou a direção e ganhou outro nome, Vai como Pode. Em 1934, os seus representantes foram até um posto de polícia para renovar a licença de funcionamento.

O delegado da época sugeriu que o nome fosse trocado, pois ele não iria renovar com o nome Vai como Pode. O nome proposto e aceito por todos foi Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela. Foi essa escola que venceu o primeiro desfile oficial da cidade do Rio de Janeiro, em 1935, com o enredo O Samba Dominando o Mundo. Até o ano de 2012, foi campeã do carnaval carioca por 21 vezes.

Mangueira

Antes da fundação da escola, já existiam no morro da Mangueira diversos cordões que pulavam carnaval e ranchos com alegorias e porta-estandartes. O cantor e compositor Cartola passou a reunir um grupo para fundar o Bloco Estação Primeira. Foi utilizado esse nome graças à estação de trem que saía da Central do Brasil. As cores características da escola, o verde e o rosa, surgiram graças a um rancho.

A escola foi fundada em abril de 1928, no morro da Mangueira. Os principais fundadores do Grêmio Recreativo Estação Primeira de Mangueira foram Cartola, Zé Espinguela e Carlos Cachaça.

Foi a primeira escola a ter uma única marcação do surdo na bateria e esse instrumento está desenhado em sua bandeira. De 1949 a 2006, a escola teve como intérprete de seus enredos o cantor Jamelão. Até o ano de 2012, a Mangueira possui 18 títulos do carnaval carioca e 1 supercampeonato disputado em 1984.

Beija-Flor

beija-florA escola de samba Beija-Flor surgiu em 1948, quando um grupo formou um bloco que recebeu esse nome devido ao Rancho Beija-Flor. Foi a mãe de Milton de Oliveira, um dos fundadores do bloco, que sugeriu o nome. Atualmente, Dona Eulália é considerada uma das fundadoras por causa dessa participação.

Em 1953, David Santos inscreveu a Beija-Flor como escola de samba na Confederação Brasileira de Escolas de Samba para desfilar em 1954 e ela foi campeã de seu grupo naquele ano. A partir de 1977, recebeu o título de Escola de Samba de Nilópolis e passou a ser uma das mais conhecidas no país. Até o ano de 2012, já foi campeã do grupo especial do carnaval por 7 vezes e passou a ser conhecida como uma escola de luxo graças ao valor investido em seus carros e fantasias.

Unidos de Vila Isabel

A escola surgiu no bairro de Vila Isabel, em 1946. Inicialmente, se tratava de um clube de futebol que foi transformado em bloco de carnaval. Um de seus fundadores foi Paulo Brazão. O primeiro presidente da agremiação, o China, foi o responsável por abrigar a sede da escola e por registrá-la na União Geral de Escolas de Samba.

O primeiro campeonato vencido pela Vila Isabel foi em 1960 e a partir de 1965, uma das principais figuras da agremiação passou a fazer parte da ala de compositores, Martinho da Vila. A primeira premiação no grupo especial aconteceu em 1988 e, até o ano de 2012, foi campeã mais quatro vezes.

Acadêmicos do Grande Rio

A cidade de Duque de Caxias começou a participar do carnaval carioca por volta da década de 50. A Grande Rio surgiu após a fusão com outra escola, a Acadêmicos de Duque de Caxias. Foi fundada em março de 1988 por sambistas da região e passou a se chamar Acadêmicos do Grande Rio.

Em seu primeiro ano de desfile com o novo nome, a escola ficou em segundo lugar com o enredo O Mito Sagrado de Ifé. No desfile de 2007, a agremiação homenageou sua cidade, mas ainda não foi campeã no Grupo Especial.

Acadêmicos do Salgueiro

O morro do Salgueiro sempre foi dotado de musicalidade e de pessoas que se dedicavam ao carnaval. Surgiram diversos blocos que participavam ativamente da festa pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro. Com tantos talentos, surgiram três escolas de samba no morro na década de 30: Unidos do Salgueiro, a Azul e Brando e a Depois Eu Digo. Na Azul e Branco, o destaque era para a ala das baianas, uma das maiores do estado. A Unidos do Salgueiro surgiu da união de dois blocos carnavalescos e era liderada por Joaquim Casemiro, o Calça Larga.

Nessas escolas, foram surgindo sambistas renomados como Noel Rosa de Oliveira, Duduca, Anescarzinho e Geral Babão. Apesar do talento apresentado, as escolas do morro do Salgueiro não conseguiam vencer as mais tradicionais, como Portela e Mangueira. No ano de 1953, após mais uma derrota no carnaval, os sambistas propuseram uma união entre os moradores da região.

Os integrantes das três escolas do Salgueiro se uniram e caminharam até a praça Saenz Peña. Em 05 de março de 1953, com a fusão da Azul e Branco e Depois eu Digo, foi fundada a Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, nas cores vermelho e branco. Até o ano de 2012, já foi campeã do carnaval por 12 vezes.

Unidos da Tijuca

No início do século XX, as montanhas da Tijuca recebiam habitantes como os escravos alforriados e seus descendentes. Nesse período, as famílias Moraes, Chagas, Vasconcelos e Santos passaram a viver no complexo dos morros do Borel. Essas famílias teriam uma grande importância no surgimento da Unidos da Tijuca. Essa escola de samba surgiu após a fusão de quatro blocos de carnaval.

Em 1931, foi fundada pela família Vasconcelos, a Unidos da Tijuca e atualmente ela é a terceira agremiação mais antiga do Rio de Janeiro. Ela surgiu com a ajuda de diversos operários que trabalhavam em fábricas da região.

Imperatriz Leopoldinense

desenho sambaAmaury Jório foi o responsável por juntar sambistas, em 1959, em sua residência, para criar uma nova escola de samba. O nome, Imperatriz Leopoldinense, foi sugerido por Manoel Vieira e a agremiação foi amadrinhada pela escola Império Serrano.

O primeiro carnaval da Imperatriz ocorreu em 1960, com o enredo Homenagem à Academia Brasileira de Letras. O primeiro tema escolhido marcaria a escola, que ficou conhecida pelos seus enredos culturais.

Já passaram pela Imperatriz vários carnavalescos renomados, como Max Lopes, Arlindo Rodrigues, Rosa Magalhães e Viriato Ferreira. Em 1972, a agremiação participou da novela Bandeira 2, escrita por Dias Gomes e apresentada pela Rede Globo. O primeiro título no grupo especial foi em 1980 e depois, até o ano de 2012, foi premiada mais sete vezes no carnaval carioca.

Mocidade Independente de Padre Miguel

Essa escola também surgiu a partir de um time de futebol e foi fundada em novembro de 1955. Seu símbolo é uma estrela guia verde e branca. O primeiro desfile oficial aconteceu em 1957, e em 1958, a escola surpreendeu com a 'paradinha' da bateria.

Inicialmente, a agremiação ficou conhecida pela qualidade de sua bateria e a partir da década de 70, passou a ser valorizada pelos seus desfiles. A Mocidade já trabalhou com carnavalescos renomados como Arlindo Rodrigues, Renato Lage e Fernando Pinto. Até o ano de 2012, foi campeã cinco vezes do grupo especial.

Unidos do Porto da Pedra

A escola surgiu através do Porto da Pedra Futebol Clube que era conhecido pelos moradores do bairro de mesmo nome, na cidade de São Gonçalo. Na década de 70, o clube criou o Bloco do Arrastão, que desfilava pelas ruas da região.

Posteriormente, a escola tornou-se um Bloco de Enredo e, em 1981, passou a ser considerada uma escola de samba. Por sete anos, a Porto da Pedra optou por desfilar apenas em seu bairro. O tigre que a representa foi criado por Jorge Luiz Guinâncio, um dos fundadores. A escola ajudou na fundação da Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso.